09 ago
2016

IA – Introdução Alimentar: Como fazer e o que oferecer!

A Introdução Alimentar ( IA ) sem dúvida é um dos primeiros grandes desafios na vida dos pais!

Além de gerar muita expectativa por marcar uma nova fase na vida do bebê, gera na grande maioria muitas dúvidas e angústias. Como fazer? O que poderei dar ou não? E se meu bebê tiver alergia? Ovo, peixe, carne…pode tudo? E se ele engasgar?

Aliado a orientação do pediatra, com muita paciência, consciência e persistência é possível passar por esse período de adaptação sem grande stress.

O que vale é lembrar que essa é mais uma adaptação que você e seu bebê passarão. Você por conta do novo momento, nova rotina que deverá estabelecer, por ter que lidar com o desconhecido, pelas reações que nem sempre serão as melhores, com a rejeição do alimento…. Seu bebê com a experiência de provar todos os sabores variados que nunca lhe foram apresentados. Lembrem-se: tudo é novo para o bebê, o que parece obvio para nós (principalmente quando já gostamos de um sabor ou não) não será obvio para eles. Pode ser que seja agradável ao paladar… pode ser que ele leve mais tempo para aceitar o sabor…. ou pode ser que ele simplesmente não goste de algum gosto ou textura.

Não deixe que o seu preconceito o afete! Não é porque não gosta de jiló que ele também não gostará. Ofereça sempre, estimule mas respeite-o! NUNCA o force a aceitar o alimento, isso só reforçará sua repulsa e o fará associar a alimentação a algo ruim. O momento da alimentação deve ser sempre prazeroso!

IA | Nossa nova rotina…

Por volta dos 4 meses o pediatra do Gabriel nos informou que iniciaríamos a IA no mês seguinte. Como ele não mamava exclusivamente no peito (leia sobre como aumentei minha produção de leite aqui) adiantaríamos um mês, prática comum pra quem complementa a amamentação com fórmula.

A Organização Mundial da saúde (OMS) preconiza a amamentação exclusiva até os 6 meses de idade. Após esse período, o bebê passa a precisar de mais nutrientes, além dos que são oferecidos no leite materno, principalmente ferro, e por isso inicia-se a introdução de novos alimentos na dieta do bebê. É importante destacar que também é orientação da OMS que o bebê permaneça no aleitamento materno até os 2 anos, uma vez que o leite materno ainda o alimenta e o protege de doenças.

Seguindo a orientação dada pelo pediatra, nossa rotina aos 5 meses passou a ser conforme os horários abaixo:

IA Introdução Alimentar
Tabela de IA Gabriel

Introduzimos o suco, a fruta e a papinha, quase que juntos. Na primeira semana ofereci o suco e as frutas e a partir da segunda semana iniciamos a papinha salgada no almoço e no jantar.

A introdução de cada alimento, bem como de cada refeição (frutas primeiro, depois suco, por último papinha) é relativa e deve ser feita seguindo a orientação do pediatra da criança. Ninguém melhor do que o profissional que a acompanha para orientar os pais nessa questão. Existem muitos pediatras que liberam uma lista extensa de frutas enquanto outros seguem uma linha mais cautelosa e passam a liberar conforme a criança vai se adaptando. É assim também no que se refere à segunda refeição salgada! Enquanto muitos liberam apenas depois dos 7 meses, outros inserem logo no início da IA (que foi o nosso caso).

IA | Sucos e Frutas

IA frutas oferecidas
Tabela de frutas por idade**

* oferecemos o morango orgânico e em forma de pasta depois de cozido.
** inserir demais frutas considerando os grupos já formados na tabela acima.

A forma como se deve oferecer as frutas ao bebê também é uma decisão que cabe aos pais tomar! Atualmente, existe um esforço enorme em prol de que frutas e papinhas sejam oferecidas com pedaços, pelo menos em consistência mais pastosa, e não batidas ou processadas. O processo de bater a papinha no liquidificador, por exemplo, a deixa mais liquida e isso não ajuda no desenvolvimento da mastigação do bebê.

Inicialmente ofereci as frutas raspadas e quando me dei conta de que não era algo prático, confesso que passei a pulsionar no mixer. Não deixava que virassem suco, apenas pulsionava para diminuir os pedaços e depois, se necessário, amassava no garfo. {acredito que devemos encontrar o equilíbrio na vida e achava mais fácil fazer assim}

As frutas mais azedas ou amargas oferecia em forma de purê depois de cozinhá-las. Assim, conseguia estimular o paladar do Gabriel para esse tipo de sabor sem ter de adicional nada de açúcar. O processo de cozimento por si só faz com que a fruta fique mais docinha! Ah, também não vale adoçar com mel antes de 1 ano, ok? há risco de botulismo e por isso não é indicado para crianças com menos de 12 meses. Lembrem-se que a necessidade do doce é nossa! Nosso paladar já está desenvolvido e acostumado ao açúcar, o deles não! 

Dica: você pode juntar duas ou mais frutas para deixá-las mais saborosas e doces. Por exemplo, ao oferecer o morango (que geralmente é mais azedo) você pode adicionar uma banana bem madura amassada! O mesmo ao oferecer o suco de laranja, para deixar mais doce e saboroso você pode incluir um pedaço de mamão papaia.

Esquema para oferecer a fruta:

  • ofereça a fruta por três dias seguidos, assim poderá notar alguma reação alérgica se for o caso;
  • ofereça a segunda fruta por mais três dias seguidos;
  • depois de duas frutas “testadas” você poderá fazer as combinações citadas acima (morango com banana, laranja com mamão, ameixa com banana, etc).

Sobre a introdução do suco, iniciei a ofertar conforme mencionado acima, oferecia de manhã o suco e de tarde a fruta. Conforme o Gabriel cresceu passei a oferecer a fruta nos dois horários uma vez que ela possui mais fibras do que o suco (que geralmente é coado). Para sua hidratação prefiro que consuma água e água de coco.

IA | Papinha Salgada

A papinha salgada é a grande responsável pelas dores de cabeça dos pais, mais do que as papinhas de frutas e os sucos. Sabendo da necessidade de complementação de vitamina e tendo em vista que muitas mamães precisam voltar da licença maternidade, surge a ansiedade de todos para que o bebê passe a se alimentar como um mocinho e não mais dependendo 100% da mãe.

Para quem ainda não entrou nesse processo mas está prestes a ….. uma dica valiosa: invista em babadores! Preferencialmente aqueles feitos de uma espécie de silicone ou ainda aqueles que são plastificados por fora (ou seja, que não sujam o tecido na primeira comidinha do dia). Outra dica que pode ser valiosa é: acostume o seu bebe desde cedo a usar babador à qualquer custo – dica de mãe que cedeu quando o filho pediu pra tirar a primeira vez e que se arrependeu quando passou a utilizar mais de cinto trocas de roupas por dia.

Sua única certeza nesse momento é de que haverá sujeira, lambança, cuspe e muita comida empurrada com a língua para a fora da boca. Não se estresse, faz parte!!!

Mas o que colocar na papinha salgada?

Bom, até nesse caso há controvérsias na ala pediátrica. Alguns médicos indicam começar a papinha apenas com os legumes amassadinhos, você pode até cozinhar a batata e a cenoura, por exemplo, junto com um pedaço de carne para dar sabor, mas na hora de servir deve oferecer apenas os legumes.

Por aqui oferecemos a carne e o frango logo de início. Como disse no início, temos que confiar no pediatra da criança e no nosso instinto materno. Ofereci assim e não tivemos problema, sendo bem sincera o Gabriel aceitou muito bem as papinhas salgadas, mais do que as doces.

Seguimos a tabela abaixo para preparar as papinhas do Gabriel. Eu cozinha dois tipos de papinhas por semana e congelava em potinhos. Assim, todos os dias de manhã tirava as porções que ele consumiria do congelador e as deixava descongelando na geladeira. Se necessário terminava o processo em banho maria (nunca no microondas uma vez que ele esteriliza o alimento e elimina muitas das vitaminas).

O ideal é preparar o alimento fresco, feito na hora! Porém naquela época não tinha ninguém que ajudasse em casa e achava inviável dar conta de fazer as comidinhas todos os dias. Enfim, cada um busca e acha o seu ponto de equilíbrio!

IA introdução da papinha
Imagem retirada da internet | ** a introdução do OVO deve ser conversada com o pediatra por conta do risco de alergia.

 

A papinha ideal deve ter um alimento de cada um dos 6 grupos acima e por fim pode ser finalizada com um fio de azeite (o azeite é rico em gorduras boas e pode prevenir muitas doenças).

Há quem diga que comida de bebê não precisa de tempero! Eu discordo! Pra mim a comida do bebê não precisa de muito sal (ou nada de sal – ideal) e pode ter alguns temperinhos sim, a deixando mais saborosa.

Desde o início refoguei a comida do Gabriel com um pouco de alho e cebola (bem pouco, mas eles estavam sempre presentes) utilizando uma panela anti-aderente (assim não precisava usar óleo). Depois, seguindo a orientação do pediatra, comecei a inserir os temperos naturais, um a um para observar possíveis alergias. Comecei por alecrim, segui com manjericão, orégano, salsinha, cebolinha, etc.

Acho ideal inserir os temperos logo no início da alimentação, assim o paladar do bebê se acostumará com os diferentes sabores e o risco de rejeição para quando passar a comer a comida da casa será menor. 

Seguindo a mesma linha das frutas, eu pulsionava a papinha no liquidificador só para deixar os pedaços menores. Em seguida amassava o restante no garfo fazendo com que ficasse um caldo grosso. Me sentia mais confiante assim do que amassando apenas no garfo. Conforme o Gabriel foi crescendo e seus dentes foram nascendo eu fui aumentando os pedaços de comida.

Toda mudança que fazíamos na sua alimentação era uma nova adaptação. Quando aumentava os pedaços na papinha naturalmente ele tinha que se acostumar novamente. E nesse período de adaptação eu tinha que me conformar que nem sempre ele comia a quantidade que eu estava acostumada a presenciar! A verdade é que quanto mais sólida a comida foi ficando, menos ele foi comendo (atentem-se que estou falando apenas da quantidade!).

Uma dica minha que funcionou: já dizia o meu pediatra…. que bebê que coloca a mão na comida é amigo do alimento! Assim, quando estiver segura da capacidade do seu pequeno promova alguns momentos de BLW (técnica no qual o bebê se alimenta sozinho de alimentos que são ofertados em pedaços).

Não me aprofundarei nesse tema pois é digno de um post só dele, mas no BLW (Baby Led Weaning) o bebê é estimulado a ter autonomia. Ele visualiza os alimentos em sua frente e tem a oportunidade de explorá-lo. Ele é quem decide qual levar a boca, quando e como. Essa autonomia ajuda no desenvolvimento da capacidade do indivíduo em reconhecer e regular o próprio apetite e principalmente identificar o momento em quem estão satisfeitos.

Indo totalmente contra nossa ansiedade de vê-los se “empanturrando” de comida, segundo o pediatra espanhol Carlos González, autor do livro Mi Ninõ No Come (Meu filho não come – em português) – “Dizer a uma criança que ela se alimentou pouco e precisa comer mais é tão absurdo quanto falar que respirou pouco e precisa respirar mais”.

É isso… seguimos assim até quase que 1 ano quando o Gab foi introduzido na comida da casa. Quando ocorreu passamos por mais um período de adaptação, mas esse foi um pouco  mais rápido.

Como disse no início do post acredito fielmente que o sucesso da alimentação (e principalmente da Introdução Alimentar) está na paciência que os pais possuem para passar pelo processo! Não é fácil, eu pelo menos não achei… principalmente quando estamos cansados e queremos que aquele momento acabe logo (deixando a hipocrisia bem de lado) mas refletindo sobre a maternidade…. alguma coisa havia sido fácil até agora??? rs… Faz parte e passa!

E quando estivermos felizes pela adaptação ter passado, então já estaremos em uma nova fase com novos desafios. E começaremos tudo novamente….

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